Quem nunca ouviu que "queijo amarelo
tem mais gordura que o branco", "beber líquido durante a refeição
aumenta a barriga", "comer à noite engorda", "deixar de comer
emagrece"? Mas, afinal, o que realmente é verdade ou não passa de
mito? Esclareça sete questões, de acordo com informações listadas
pela nutricionista Alessandra Paula Nunes, professora do curso de
nutrição do Centro Universitário São Camilo, de São
Paulo:
1) Queijo amarelo tem
mais gordura que o branco: Verdade
A cor amarela está ligada ao
alto teor de gordura do leite. Sendo assim, os queijos amarelos
também são mais calóricos em comparação com os brancos. Confira as
calorias fornecidas por 30g de opções do produto: uma fatia do
queijo minas frescal tem 79; duas colheres de sopa do cottage, 30;
uma fatia de ricota, 50; uma fatia de parmesão, 118; e uma porção
de gorgonzola, 144.
Rico em proteínas, gorduras,
carboidratos, sais minerais (sódio, potássio, magnésio, cobre,
cálcio e fósforo) e vitaminas (A, B e D), o queijo é considerado um
dos alimentos mais nutritivos que se conhece. Assim como os outros
derivados do leite, a recomendação, segundo
o Guia
Brasileiro Alimentar (2005), é de três porções ao dia, que devem ser
consumidas no café-da-manhã ou nos intervalos das grandes refeições
(lanche da manhã, lanche da tarde ou
ceia).
2) Comida
japonesa não engorda: Mito
Como qualquer comida, a
japonesa pode engordar se for consumida em excesso. Pode-se
saboreá-la até mesmo todos os dias, desde que fique atento às
quantidades e à forma de preparo dos alimentos (fuja das
frituras).
O sashimi (150g) de salmão traz 316,5 calorias,
enquanto o de atum, 219. Cada oito unidades de sushi acrescentam
240 calorias à refeição. O shoyu não tem valor calórico alarmante
(1 colher de sopa proporciona 9 calorias), mas isso não significa
que deve se empolgar e pecar pelo excesso, até porque apresenta
alto índice de sódio.
A culinária japonesa é bastante saudável por fornecer
proteínas e ômega 3. É rica também em produtos feitos a partir da
soja, que reduzem os níveis de colesterol ruim (LDL) no sangue,
evitando a formação de placas de gordura nas artérias. No entanto,
é deficiente em ferro, já que o cardápio não conta com carne
vermelha.
Os antioxidantes, que ajudam no combate ao
envelhecimento, estão presentes em alimentos amplamente utilizados
nas iguarias orientais, como no gengibre (que facilita a digestão),
nos cogumelos (cujo ácido glutâmico auxilia o sistema imunológico)
e no chá-verde (fonte de vitamina K, necessária à coagulação normal
do sangue).
3) Beber líquido
durante a refeição aumenta a barriga: Mito
Esse mito provavelmente
surgiu pelo fato de que, quando se ingere alguma bebida, acontece
uma dilatação momentânea do estômago. Além disso, o líquido pode
comprometer a acidez gástrica necessária a uma boa digestão e
absorção de nutrientes, o que leva à possibilidade de fermentação
de carboidratos, processo que causa aumento na formação de gases e
dá a sensação de distensão abdominal.
Para evitar problemas digestivos, não exagere na
quantidade e prefira um copo pequeno de água ou de suco de frutas
cítricas, que são fontes de vitamina C e ajudam na absorção do
ferro presente em leguminosas e verduras escuras. Deixe de lado os
líquidos gaseificados, como refrigerantes, e os sucos artificiais,
porque não contêm nutrientes importantes e ainda são ricos em
açúcar.
4) Deixar de comer
emagrece: Mito
Quem deixa de comer com o
intuito de diminuir o peso está para lá de equivocado. Pode até
achar que perdeu alguns quilinhos indesejáveis com esse sacrifício,
mas longos períodos sem se alimentar levam à redução do
funcionamento do metabolismo e a consequência é que o corpo não
queima as calorias devidamente. Portanto, o efeito é o inverso do
esperado.
As pessoas que limitam drasticamente as refeições ou
até mesmo acabam com elas ainda sofrem com fraqueza, cansaço,
desconforto gástrico e carência de alguns nutrientes importantes ao
organismo. Se quiser ficar de bem com a balança, nada melhor do que
apostar em uma dieta equilibrada e exercícios físicos. Vamos lá,
afaste a fadiga e mexa-se!
5) Beber água
gelada em jejum emagrece: Mito
Não há comprovação de que
consumir água gelada em jejum emagrece, uma vez que a água em si
não tem o poder de queimar calorias e nem de reduzir medidas. O
líquido, no entanto, pode contribuir com o emagrecimento de outras
formas.
Ingeri-lo e realizar pequenas refeições entre as
principais ajuda a se sentir mais saciado no almoço ou jantar.
"Nosso estômago tem a capacidade limitada de dilatar até dois
litros. Com a ingestão de líquidos ao longo do dia, é relativamente
preenchido, diminuindo a necessidade de ingestão de alimentos."
Além disso, água e alimentos ricos em fibras aumentam a formação do
bolo fecal, o que contribui para o bom funcionamento do
intestino.
6)
Alimentos diet são menos calóricos que os convencionais:
Mito
Produtos diet são aqueles
que restringem completamente algum tipo de nutriente, como açúcar,
proteínas, gordura e sódio. O chocolate dietético, por exemplo, não
tem açúcar, mas é mais calórico que o tradicional devido à maior
adição de gordura. "Com a retirada de algum nutriente, o alimento
pode até apresentar uma diminuição nas calorias, mas isso não quer
dizer que seja menos calórico do que o convencional. Deve-se
verificar se essa redução é significativa e justifica a
substituição do alimento convencional pelo
diet."
7) Comer antes de
deitar engorda: Mito
O metabolismo realmente fica
mais lento à noite, mas isso não significa que comer nesse período
vai levar a um aumento de peso. Basta tomar alguns cuidados para
afastar o risco. A refeição noturna, realizada após o jantar (cerca
de três horas depois), deve ser mais leve e em pouca quantidade.
Esqueça salgadinhos, frituras, refrigerantes. A sugestão da
nutricionista Alessandra Paula Nunes é consumir uma das seguintes
opções: fruta, leite desnatado batido com fruta, iogurte desnatado
natural ou de frutas, aveia com alguma fruta e mel, suco de
fruta.